quinta-feira, 4 de julho de 2013

Gosto pelo estudo cai no ensino médio


O imaginário popular já diz: criança não gosta de estudar. Para desvendar essa e outras questões sobre o que pensam e querem as crianças e adolescentes, a Multifocus Inteligência de Mercado realizou uma pesquisa com 507 estudantes de escolas públicas e privadas de ensino fundamental e médio, em 12 capitais brasileiras. O resultado? Apenas metade dos jovens brasileiros entrevistados declarou gostar de estudar. Segundo a pesquisa, apresentada no Fórum "Como (re) construir a escola do século XXI", promovido pela revista Educação, com o apoio do UNO Internacional, em parceria com a Corus Consultores e a Perello Sociedade de Advogados, os alunos do município de São Paulo são os que menos gostam de estudar: apenas 37%.
Já a diferença entre os estudantes das redes pública e privada é mínima. Na média Brasil, 52% dos alunos de escolas públicas declararam ter gosto pelos estudos, enquanto na rede particular o número foi de 51%.  Em São Paulo, a diferença cresce um pouco, sendo 38% as crianças e jovens da rede pública que gostam de estudar, contra 33% da rede privada. Nota-se, no entanto, que com o passar dos anos o gosto pelo estudo diminui entre os alunos. 56% das crianças de ensino fundamental declararam que gostam de estudar; já no ensino médio, esse número cai para 42%.  A pesquisa completa pode ser vista aqui.
Desoneração
Outro tema debatido na última terça-feira (4), durante o Fórum Revista Educação, foi a desoneração da folha de pagamento de escolas particulares. A discussão, que já foi levada ao Congresso Nacional pela Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), teve início com uma Medida Provisória que permite a alguns setores da economia, como o têxtil, o de pães e massas, call center e equipamentos médicos, entre outros, substituírem a contribuição ao INSS de 20% da folha de pagamento por uma contribuição baseada em alíquotas de 1% ou 2% sobre a receita. 
Fernando Barão, da Corus Consultores, questionou os presentes: "quais as razões da educação não ter sido beneficiada, mesmo tendo uma importância estratégica maior que os outros setores?" Para ele, além de não existir uma articulação grande do setor educacional, o problema está na origem da política de desoneração. "A política visa aumentar o PIB e conter a inflação, por isso a indústria é uma das mais beneficiadas", argumenta. Veja aqui a apresentação de Fernando Barão sobre a política de desoneração. Os efeitos do aumento das cotas para 50% nas universidades públicas também foi objeto de debate no fórum, em apresentação do economista Fernando Botelho.
Avaliação
Educar para o Enem ou educar para a vida? Com esse questionamento, Priscila Cruz, diretora executiva do Todos Pela Educação, abriu a mesa de debates sobre a utilização do exame como principal parâmetro para a formação dos estudantes. Priscila ressaltou três pontos determinados pela própria Constituição Federal: a educação deve visar o desenvolvimento pleno da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. "O Enem não contempla tudo isso. Ele avalia apenas um recorte das habilidades cognitivas dos estudantes", explica.
Pablo Doberti, diretor do Uno Internacional, acredita que há uma preocupação excessiva das escolas em relação ao exame. "O sistema educacional hoje vive obcecado pelo Enem e pelos vestibulares", destaca.
Gustavo Morita
Pablo Doberti, Priscila Cruz, José Pacheco e Eugênio Cordaro: educar para o Enem ou para a vida?
Já José Pacheco, educador e ex-diretor da Escola da Ponte, em Portugal, questiona a própria existência do Enem. "O que esse exame avalia? Ele é uma avaliação mesmo ou apenas classificação?", pergunta. O educador português defende a extinção das provas das escolas. Atualmente ele participa do Projeto Âncora, em Cotia, que mantém uma escola inspirada no modelo da Escola da Ponte. Ele garante que seus alunos são avaliados, mas não por meio de provas.
Na opinião de Pacheco, o Enem serve apenas para medir a capacidade de memorização a curto prazo dos estudantes. O educador também faz críticas às avaliações de larga escala aplicadas no país, como a Prova Brasil, e discorda da adoção do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) como uma medida de qualidade educacional.
"Nós temos hoje um excesso de diagnóstico, mas fazemos muito pouco com os resultados", concorda Priscila Cruz. No entanto, ela discorda do educador português em relação à extinção das provas e ao uso do Ideb. "A criança tem que aprender a fazer prova, porque querendo ou não ela vai se deparar com essa situação ao longo da vida", opina. Quanto ao Ideb, ela acredita que o índice foi um dos propulsores para a melhora, ainda que tímida, de muitas redes. "Acho que temos que repensar as avaliações e ter uma visão crítica em relação a elas, mas não radicalizar e acabar com tudo", ressalta.

FONTE: Revista educação uol

terça-feira, 25 de junho de 2013



Estima-se que a Copa do Mundo de 2014 custará R$ 28 bilhões. Tomando o estudo do CAQi (Custo Aluno-Qualidade Inicial) como referência, com R$ 25,277 bilhões daria para construir unidades escolares para todos os 3,7 milhões de brasileiros de 4 a 17 anos que estão fora da escola.
Daniel Cara


Um dos motivos da justa onda de protestos que toma o Brasil é o alto custo da Copa do Mundo de 2014.
Estive a trabalho na África do Sul no período da Copa das Confederações (2009) e da Copa do Mundo (2010). É bom que todos os brasileiros tenham ciência: em qualquer lugar do mundo, os eventos FIFA são demasiadamente onerosos e elitizados. Contudo, no Brasil a situação está mais grave.
Ontem (19/6), o jornalista Jamil Chade, do grupo Estado, informou que em abril o governo estimava que a Copa do Mundo de 2014 custaria de R$ 25,5 bilhões. Anteontem (18/6), o secretário-executivo do Ministério dos Esportes, Luis Fernandes, anunciou que a Copa deverá custar R$ 28 bilhões.
Em comparação com outros Mundiais, o evento no Brasil é o mais dispendioso. Em 2006, a Alemanha gastou na 3,7 bilhões de euros para sediar a Copa, cerca de R$ 10,7 bilhões. Em 2002, Japão e Coreia, gastaram juntos US$ 4,7 bilhões, cerca de R$ 10,1 bilhões. Na África do Sul, em 2010, o custo do evento foi de US$ 3,5 bilhões, perto de R$ 7,3 bilhões. Conclusão: a Copa do Mundo de 2014 será a mais cara da história.
E é um acordo estranho. O Brasil paga a conta, mas é a FIFA quem lucra. Segundo seus próprios dados, a "entidade máxima do futebol" estimava, em 2011, que gastaria US$ 3,2 bilhões para organizar o Mundial, obtendo uma receita de US$ 3,6 bilhões. Mas Jerome Valcke, o mal humorado secretário-geral da FIFA, admitiu que a renda irá superar a marca de US$ 4 bilhões, dobrando o lucro da entidade com o evento. 
Com base nessas informações, realizei um rápido exercício de cálculo. Fui estimulado pela imagem de um cartaz que figurou nos protestos de São Paulo, altamente compartilhada nas redes sociais. O texto dizia: "Eu quero escolas e hospitais 'padrão FIFA'".
Aviso, logo de cara, que tal como ocorre com os estádios de futebol, o chamado padrão FIFA é um luxo desnecessário. Portanto, como referência, vou tomar o único instrumento brasileiro capaz de contabilizar o custo de construção, equipagem e manutenção de escolas dedicadas à relação de ensino-aprendizagem. O mecanismo é de autoria da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e se chama CAQi (Custo Aluno-Qualidade Inicial).
Fiz o seguinte exercício: o que os R$ 28 bilhões que serão gastos com a Copa do Mundo de 2014 fariam pela educação pública?
Como parâmetro de demanda, tomei como base o dado do relatório brasileiro "Todas as crianças na escola em 2015 - Iniciativa global pelas crianças fora da escola", produzido pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e, novamente, pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação. A principal conclusão do documento é que 3,7 milhões de crianças e adolescentes brasileiros, de 4 a 17 anos, estão fora da escola. No entanto, segundo a Emenda à Constituição 59/2009, todos os cidadãos dessa faixa-etária devem estar obrigatoriamente matriculados até 2016.
Assim, o primeiro desafio é o de dimensionar o volume de pré-escolas e escolas que precisam ser construídas. Operando os cálculos, faltam 5.917 estabelecimentos de pré-escolas, 782 escolas para os anos iniciais do ensino fundamental, 593 escolas para os anos finais e 1.711 unidades escolares de ensino médio. Em segundo lugar, é preciso dimensionar os custos de construção e aquisição de equipamentos. Para os 5.917 prédios de pré-escola são necessários R$ 15,047 bilhões. No caso das unidades de ensino fundamental, o custo seria de R$ 1,846 bilhão para os anos iniciais e 1,769 bilhão para os anos finais. Por último, para construir e equipar as escolas de ensino médio, o investimento seria de R$ 6,615 bilhões.
Tudo somado, o Brasil deve aplicar R$ 25,277 bilhões para construir e equipar pré-escolas e escolas capazes de matricular todas as crianças e adolescentes de 4 a 17 anos até 2016. Ainda assim, subtraindo esse montante dos R$ 28 bilhões que devem ser despendidos com a Copa, sobram R$ 2,721 bilhões. É um bom recurso!
Obviamente, esse cálculo trata apenas do investimento em construção e aquisição de equipamentos, com base em um padrão mínimo de qualidade mensurado no CAQi. Não estão sendo considerados, por exemplo, a imprescindível construção de creches, instituições de ensino técnico profissionalizante e de ensino superior. Muito menos estão sendo contabilizados custos essenciais para a manutenção das matrículas com qualidade, como salários condignos para os professores e demais profissionais da educação, custos com uma boa formação inicial e continuada para o magistério, além de uma política de carreira atraente. Como é de conhecimento geral, se tudo isso fosse considerado, tomando outros fatores do CAQi como referência, além de outros instrumentos, o Brasil precisaria investir, em 10 anos, cerca de R$ 440 bilhões em educação pública, ou o equivalente a 10% do seu PIB (Produto Interno Bruto) de 2012.
Hoje investe, conforme dados oficiais, cerca de R$ 233,2 bilhões.
Portanto, o exercício apresentado aqui serve basicamente para estimular uma reflexão: o orçamento público deveria obedecer a uma lógica de prioridade. Por mais que o povo brasileiro ame o futebol, os manifestantes têm declarado que preferem educação pública, saúde pública e transporte público de qualidade. A FIFA tem dito que a Copa de 2014 será um festa, a nossa festa. Se for verdade, será uma comemoração indigesta, pois já estamos sendo obrigados a engolir regras, padrões e ingressos caros e para poucos. E pior: todos os contribuintes brasileiros pagarão a conta.



domingo, 2 de junho de 2013

Improviso planejado



A palavra é "amor". Você vai improvisar durante dois minutos. O comando é dito pela professora, e os dois homens em um pequeno palco começam a discorrer nervosamente sobre o tema. A expressão corporal muda o estado de conforto. Agora eles estão tensos e, mesmo sem perceber, balançam de um lado para o outro, para frente e para trás, enquanto procuram por palavras. 


A cena é parte de um curso de oratória do Clube da Fala, no Rio de Janeiro, em um dos diversos exercícios que os alunos fazem para desenvolver a habilidade de improvisar na retórica. A sala vai enchendo progressivamente, e chega a vez de novos pupilos encararem o palco.
Primeiro sobe um rapaz de 16 anos, que precisa passar em um exame de proficiência em alemão e, tímido, teme não conseguir por causa da avaliação oral. 
- Nós demos a tarefa para ele contar histórias na sala de aula e de começar conversas com estranhos no metrô - conta Laila Wajntraub, a professora do curso.

Preparação

Fonoaudióloga e especialista em oratória, Laila pede a uma advogada aspirante a filósofa que se junte ao garoto no palco e descreva o medo de improvisação que a levou a buscar as aulas: 
- Meu coração dispara e me sinto como se tivesse subido uma escada de muitos degraus, fico ofegante.
O improviso, seja ele no discurso, na escrita, na prática profissional, no cotidiano cidadão ou em manifestações artísticas, amedronta muita gente, não só os tímidos. Paira no imaginário coletivo a imagem de um orador eloquente que possui as palavras certas na ponta da língua, como se detentor de um dom. A ideia de comunicar-se com eficiência sem preparação prévia é, no entanto, uma falácia. 
Especialistas mostram que, por trás da maioria dos improvisos de sucesso, há estudo, planejamento e preparação, que foram incorporados à bagagem de conhecimentos do orador ou redator e antecedem o momento da improvisação. É em busca disso que cada vez mais pessoas têm se inscrito em cursos de oratória, tea-tro e comunicação empresarial.

Sem ilusão

- Na vida nós improvisamos diariamente, por mais que programemos nosso dia. O improviso traz a possibilidade de conviver com o imprevisto com mais naturalidade, em vez de ficarmos bravos -, diz o palhaço e ator Márcio Ballas, diretor artístico do Clube do Humor, que oferece cursos de improvisação para amadores em São Paulo. 
Os alunos, na maioria, não são atores nem desejam ser, mas buscam desenvolver a habilidade e o jogo de cintura para improvisar.
- O curso ajuda as pessoas a serem mais disponíveis com o que ocorre com elas e aprenderem a jogar com isso - explica Ballas. 
Renato Raoni Affonso é uma dessas pessoas que buscaram um curso para desenvolver sua capacidade de improvisação, ofuscada pelo medo de se expor em público. No seu caso, a urgência de trabalhar essa faceta surgiu por conta da necessidade de defender sua dissertação de mestrado.
- No curso aprendi técnicas para falar com mais segurança. Por mais que você tenha uma fala decorada, não vai lembrar de tudo. Então é normal que tenha de improvisar - afirma o aluno do Clube da Fala. 

Deslize incorporado

A defesa da dissertação foi um sucesso, e Renato, agora mestre em Ciência e Tecnologia Nucleares pelo Instituto de Engenharia Nuclear, afirma que o improviso surgiu naturalmente em seu discurso porque ele já havia praticado muito.
Sandro Huguenin, sócio de Laila no Clube da Fala, comenta que essa habilidade de improviso está muito mais conectada à realidade do mercado de trabalho e das relações pessoais do que à ilusão de que tudo pode ser 100% previsto e preparado.
- Em uma reunião de trabalho, por exemplo, o profissional vai ser constantemente questionado sobre assuntos com os quais não necessariamente contava - avalia Sandro.
O compositor Sérgio Kafejian, professor de música na Faculdade Santa Marcelina e autointitulado "improvisador", observa que há lições que a música ensina sobre a improvisação e as pessoas podem levar para suas vidas. Afinal, assim como no registro oral e escrito, o improviso na música tem à disposição uma série de sonoridades (no lugar de palavras) que precisam ser articuladas.
- Você estuda o improviso com a prática. Na hora da improvisação, cada músico chega com um arsenal próprio que, quando entra em contato com o do outro, cria coisas imprevistas com as quais eles precisam decidir na hora o que fazer. Acho muito interessante na improvisação esse poder de decisão rápido. Você sempre precisa resolver algo naquele momento. 

Em público

E o que fazer ante um deslize ou um discurso desafinado? Incorporá-lo.
Segundo Kafejian, pequenos erros na verdade não são erros, mas formas de potencializar a improvisação. O "destemperamento", diz ele, faz parte da linguagem, e precisa ser absorvido e transformado de algo inesperado a esperado. 
O palhaço Ballas trabalha com o erro como um dos princípios da improvisação. Segundo ele, quando alguém faz uma tentativa e isso dá errado, precisa ver o resultado daquilo e alterar a rota, levando o deslize em consideração. 
- O público adora quando a cena dá errado, vai ao delírio, porque quer ver essa capacidade de adaptação de quem está se apresentando.
Isso não é uma realidade apenas nos palcos e picadeiros. Ballas conta que muitos de seus alunos fazem o curso porque desejam expressar-se e improvisar com naturalidade em público. 
- Em uma palestra, se a pessoa erra, fica mal, pede desculpa, e aí fica tensa e o público, vendo-a tensa, fica tenso também. A pessoa precisa brincar com aquilo, autorridicularizar o episódio, porque então o público vira seu cúmplice - ensina o ator.
Ballas fará parte neste maio do espetáculo Caledoscópio, no Tuca Arena (São Paulo), com foco na improvisação. Nos primeiros dez minutos de peça, o elenco colhe informações da plateia, e em seguida apresenta uma peça baseada nesses dados, feita exclusivamente sobre e para aquele público.

Vaidade do erro

O grande problema dos que querem aprender a improvisar, segundo a psicóloga Joana Barbosa, é não lidar bem com a imperfeição. Atriz, diretora e palhaça, Joana é também professora do curso O Clown Dentro de Mim, que atende muita gente que não é ligada às artes cênicas. 
- Quanto mais a pessoa se desapega do acerto, mais consegue improvisar - afirma Joana.
A psicóloga avalia que, ao se trabalhar algo indefinido, há o risco de errar, e as pessoas "ficam vaidosas em relação ao erro".
- Certa vez, um senhor de mais de 70 anos veio fazer o meu curso, e dei um tema de improvisação. Quando ele foi apresentar, vi que começou a andar de maneira diferente e achei estranho. No fim da cena, ele me mostrou que tinha cortado profundamente o seu pé durante a cena, mas improvisou tão bem que achamos que fazia parte do personagem.
No curso, Joana trabalha com a improvisação como princípio essencial do palhaço. Ela observa que esse é um personagem que vive de imprevistos, da prática de resolver problemas que se apresentam na hora. 



FONTE: Revista Lígua

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A explicação para eletrização dos corpos





Quando atritamos dois corpos, o cabelo e um canudinho, por exemplo, um deles fica eletrizado positivamente e o outro eletrizado negativamente, mas qual a explicação para esse acontecimento? 

Muitos cientistas formularam teorias na tentativa de explicar esse fato. Benjamin Franklin, um dos homens mais célebres dos Estados Unidos no século XVII, foi um dos que tentaram explicar o porquê do acontecimento desse fenômeno. Franklin elaborou uma teoria na qual afirmava que os fenômenos elétricos aconteciam em razão da existência de um fluido elétrico presente em todos os corpos. Quando dois corpos eram atritados ocorria transferência de parte desse fluido de um corpo para outro, o corpo que recebia esse fluido ficava eletrizado positivamente, o corpo que cedia ficava eletrizado negativamente e em um corpo não eletrizado o fluido existia em quantidades normais. Por meio de sua teoria, Franklin mostrou que não poderia criar nem destruir cargas elétricas, apenas fazer com que passasse eletricidade de um corpo para outro, ou seja, a quantidade total do fluido ao final do processo de transferência do mesmo entre dois corpos permanecia inalterada. 

Hoje, com as descobertas sobre esse assunto, sabe-se que a teoria de Franklin estava parcialmente errada, pois sabemos que a eletrização ocorre em razão da transferência de elétrons de um corpo para outro quando eles se atritam. E essa transferência não acontecia por meio do fluido elétrico que Franklin imaginara, mas sim por meio da passagem de elétrons de um corpo para outro. 
A teoria moderna sobre a estrutura dos átomos mostra que toda matéria é constituída basicamente por três partículas que são denominadas de prótons, elétrons e nêutrons, que são, respectivamente, cargas positivas, cargas negativas e as partículas que não tem carga. Quando um corpo não está eletrizado, o número de prótons é igual ao número de elétrons. Ao atritar dois materiais, um deles ficará eletrizado positivamente, pois perdeu elétrons e ficará com falta, já o outro ficará eletrizado negativamente, pois estará com excesso de elétrons.


Fonte: Brasil escola

segunda-feira, 25 de março de 2013

No ensino livre, alunos tomam as rédeas da própria formação


Ter contato em qualquer lugar e na hora que quiser com conteúdos que antes só podiam ser acessados por meio de livros e na sala de aula. Essa é a proposta que o professor americano Salman Khan fornece gratuitamente na Khan Academy, um portal na internet com seis milhões de visitantes por mês repleto de vídeos que explicam matemática, história, ciências e outras disciplinas. Khan esteve no Brasil a convite da presidente Dilma Roussef e do ministro da Educação Aloizio Mercadante. Durante o seminário oferecido em Brasília, Kahn afirmou que “a escola não substitui o professor e, sim, complementa o seu trabalho”.

​O projeto de Kahn entusiasmou o governo brasileiro, que já elabora a implementação de um sistema parecido no Brasil. Segundo Dilma Roussef, as novas tecnologias são aliadas para ajudar a melhorar a qualidade da educação no Brasil. Por meio de tablets e notebooks, o acesso às videoaulas até mesmo na escola ajuda o professor a entender melhor o nível de cada aluno individualmente. Ele pode, junto com o estudante, trabalhar dificuldades específicas que normalmente passariam despercebidas em turmas muito grandes.

O Brasil já conta com um exemplo das intituladas “Universidades Livres” como a Universidade Fora do Eixo, coletivo criado em 2005 por produtores culturais. Organizando encontros, festivais e eventos, eles perceberam que a troca de informações nessas ocasiões era muito grande. A partir daí, decidiram criar uma instituição em que as pessoas pudessem circular gratuitamente por outras casas do coletivo existentes no Brasil e trabalhar diretamente com os coordenadores do Fora do Eixo em áreas como comunicação, música e artes cênicas.

O Fora do Eixo criou também sua própria metodologia. “A gente não tem aulas e as pessoas não se formam, a gente entende que a formação é algo infinito. O próprio processo de fazer é formativo. Abrimos vagas dentro dos nossos projetos. Cada área tem um campo de formação. Se você quer aprender comunicação, por exemplo, trabalha com as pessoas de comunicação”, afirma Carolina Tokuyo, gestora nacional da Universidade Fora do Eixo.

O que é comum entre os projetos do professor norte-americano e dos produtores culturais brasileiros é a responsabilidade que os alunos podem assumir em relação à sua própria formação. A vivência colaborativa com outras pessoas na Universidade Fora do Eixo ou durante as videoaulas de Salman Khan permite que cada aluno desenvolva suas habilidades individualmente. Esses métodos podem compensar as lacunas normalmente deixadas pelo ensino tradicional no qual todos os estudantes deveriam aprender de forma unificada e simultânea.


FONTE:  Portal Terra

terça-feira, 5 de março de 2013

Portugal oferece cursos fracos no Ciência Sem Fronteira


Dos 2.587 bolsistas do programa Ciência Sem Fronteira (CsF) que já estão em Portugal - o segundo principal destino do programa -, quase 70% foram para universidades consideradas mais fracas que as principais instituições brasileiras ranqueadas pelo SCImago, reconhecido grupo de pesquisa internacional que classifica os melhores locais para se estudar na América Latina, Portugal e Espanha.

A situação - que preocupa os gestores do programa e custa aos cofres públicos R$ 48 milhões por ano - fez com que o governo federal agisse. Na sexta-feira, cerca de 9,7 mil candidatos ao intercâmbio em Portugal foram notificados pelo CsF sobre a possibilidade de trocarem de país.

Para chegar aos números, o jornal "O Estado de S. Paulo" cruzou as informações sobre a quantidade de bolsas implementadas até janeiro de 2013 com o atual ranking ibero-americano da SCImago - reconhecido grupo de pesquisa internacional que classificou as melhores universidades da América Latina, Portugal e Espanha. Foram considerados índices de qualidade da produção científica e internacionalização dos pesquisadores.

Com base no prestigioso ranking QS World University, quando se compara o curso de Engenharia Civil da UFRJ com o da Universidade de Coimbra - que recebe a maior quantidade de brasileiros -, a instituição do Brasil se sai melhor.

Melhores "disponíveis"

No próprio site da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior), umas das administradora do programa, nenhuma universidade portuguesa é sequer listada como referência na seleção de melhores instituições europeias, muito menos na relação das mais destacadas em Engenharia e Tecnologia, área prioritária para o programa."Não que as elas não tenham critério nem parâmetros de aceitação de alunos. Mas a demanda por uma universidade de ponta americana, como Stanford e Harvard é certamente maior", diz Lampreia.

O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), também gestor do programa, diz que busca parcerias com as melhores universidades "disponíveis". O CNPq informa ainda que o Ministério da Educação está desenvolvendo o programa Inglês sem Fronteiras para aumentar o número de bolsistas enviados para EUA, Canadá, Austrália e Grã-Bretanha. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

FONTE: Uol

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Toxina que alivia


Aranhas armadeiras não são exatamente o tipo de animal que se gostaria de ter por perto. Além de muito agressivas, seu veneno é considerado o mais potente entre os aracnídeos. Paradoxalmente, uma espécie do grupo libera uma toxina analgésica que pode amenizar o sofrimento de pacientes com câncer. Testes com camundongos e ratos sugerem que a substância funciona melhor do que os fármacos utilizados atualmente para esse fim.

A espécie em questão é a Phoneutria nigriventer, tipo de armadeira presente em todo o Brasil e outras regiões da América do Sul e que contém o peptídeo Phα1β (‘Ph alfa 1beta’) em seu poderoso veneno. Além de ter se mostrado eficaz no combate às dores decorrentes do câncer, o uso da toxina nos animais apresentou muito menos efeitos colaterais que outros analgésicos administrados na mesma situação.

De acordo com a farmacêutica Flávia Rigo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a substância ainda tem a vantagem de não causar tolerância nos pacientes. “Isso ocorre quando, depois de várias vezes administrado, um fármaco passa a ter menos efeito no organismo, o que implica no aumento constante das doses”, explica.

Para testar as propriedades analgésicas da toxina, Rigo separou os animais em dois grupos. O primeiro, formado por camundongos, recebeu células de melanoma nas patas direitas e foi tratado com morfina. O segundo grupo, composto por ratos, foi apenas submetido à quimioterapia, com o medicamento paclitaxel, sem ter desenvolvido câncer.

A toxina foi administrada quando os animais do primeiro grupo começaram a desenvolver tolerância ao analgésico e os do segundo apresentaram dores agudas, decorrentes do tratamento. O composto foi injetado por via intratecal, diretamente na medula espinhal.
Segundo a farmacêutica, a substância eliminou totalmente tanto a dor causada diretamente pelo tumor, quanto a decorrente da quimioterapia. A analgesia durou seis horas, duas a mais que a provocada pela morfina, por exemplo.

De acordo com Rigo, o único efeito colateral observado foi uma leve sensibilidade na pele. Já a ziconotida, utilizada no estudo para efeitos comparativos, causou distúrbios motores e sonolência nos animais. Esse peptídeo, derivado do veneno do caracol Connus magus, é usado atualmente no tratamento de pacientes com câncer ou Aids tolerantes à morfina.

Cortando a comunicação

As dores provocadas pelo câncer têm origens diversas, estando relacionadas, principalmente, à compressão de nervos e vasos pelo tumor e à agressividade das terapias.
Trabalhos anteriores já haviam mostrado que a toxina bloqueia canais de cálcio presentes nas células, impedindo a liberação de neurotransmissores. Esses canais têm papel fundamental na condução de estímulos neurológicos até o sistema nervoso central. Ao interromper esse processo, a Phα1β faz com que o cérebro não ‘fique sabendo’ que há algo errado e, consequentemente, não envie o estímulo de dor para o local afetado.

Apesar dos resultados positivos dos testes, não seria possível utilizar somente a toxina no tratamento das dores do câncer. Por ser um peptídeo – tipo de molécula que sofre degradação excessiva no estômago e não é bem absorvida pelo intestino –, a Phα1β precisaria ser aplicada por via intratecal. E por se tratar de uma injeção diretamente na medula, a aplicação recorrente por tempo prolongado seria inviável.

No entanto, foi observado durante o estudo que os animais resistentes à morfina que recebiam doses da Phα1β tiveram essa tolerância diminuída. Isso possibilitaria um tratamento alternado, em que a toxina seria introduzida apenas pontualmente.

Outro problema é a necessidade de sintetizar a substância em laboratório para a realização dos testes com seres humanos e para o desenvolvimento de medicamento. Além de a P. nigriventer ser muito difícil de capturar e criar em cativeiro, a quantidade de veneno obtido de cada aranha é muito pequena. “O processo para desenvolver a Phα1β é muito complexo, já que é preciso reproduzir todas as ligações do peptídeo em uma estrutura tridimensional”, afirma Rigo.

Mas, de acordo com a pesquisadora, existem pesquisas nesse sentido sendo conduzidas, visto que em 2008 outros estudos já haviam comprovado a eficácia do composto no tratamento de dores neuropáticas e associadas a inflamações.
Já a próxima etapa do estudo de Rigo será observar a ação da toxina da armadeira em animais com dor associada à Aids.

FONTE: Ciência Hoje

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Projeto dá apoio financeiro a universitários de baixa renda; inscrições em fevereiro

 

Passar no vestibular em uma universidade pública pode dar a sensação de missão cumprida para muitos estudantes. Porém, para grande parte dos alunos de baixa renda, conquistar uma vaga é apenas o primeiro passo, já que precisam conciliar estudos e trabalho, gastar com livros caros, transporte e alimentação, além da falta de apoio para a carreira.
Pensando em como ajudar esses jovens, um grupo de estudantes do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), criou o Instituto Semear, que dá apoio financeiro e treinamento durante um ano aos universitários. O projeto, que começou em 2010, em São José dos Campos, interior paulista – que neste ano está com inscrições abertas até 23 de fevereiro –, hoje comemora 60 atendimentos a universitários e sua expansão para o Rio de Janeiro e o Ceará, que abrirão seus processos seletivos nas próximas semanas.
O instituto tem como ponto central do seu trabalho evitar a evasão escolar dos universitários, sobretudo, daqueles oriundos das classes C, D e E. No Brasil, cerca de 900 mil estudantes abandonam a faculdade antes de se formar, de acordo com a pesquisa Estudos sobre a Evasão no Ensino Superior Brasileiro, do Instituto Lobo, de 2011.
"Acreditamos que o conselho de uma pessoa experiente, uma palestra sobre um tema desconhecido e a tranquilidade financeira para se alimentar e ir para a faculdade são os elementos que podem ser o ponto de virada na vida de uma pessoa", afirma Daniel Santos, coordenador voluntário do Instituto Semear Celeiro, nome que o projeto recebe no Rio.
Na prática, o apoio aos estudantes se baseia em três pilares. No primeiro deles, o jovem recebe uma bolsa de R$ 342,85 mensais – pagos durante os dois primeiros semestres para se manter na faculdade e conseguir pagar despesas básicas de transporte, alimentação e educação.
Em seguida, o universitário conta com o auxílio de um mentor, ou seja, um profissional que já atua no mercado e que tem bagagem para esclarecer as dúvidas do jovem. Por fim, paralelamente aos outros dois pilares, os estudantes passam por treinamentos mensais onde são abordados temas como inteligência emocional, empreendedorismo, finanças pessoais e liderança.
O instituto ainda oferece aos universitários a chance de acompanhar palestras de profissionais e empreendedores que contam suas experiências com a vida universitária, as dificuldades no processo e como alavancarem suas carreiras. "O propósito é garantir uma estrutura mínima necessária para que esses jovens acreditem nos seus objetivos. Muitas vezes, eles não sabem o caminho, o que os impede de se tornarem agentes de transformação na sociedade", afirma Santos.

 FONTE: UOL Educação

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Não há biblioteca em 72,5% das escolas brasileiras





O Brasil precisa construir 130 mil bibliotecas até 2020 para cumprir a Lei 12.244, que estabelece a existência de um acervo de pelo menos um livro por aluno em cada instituição de ensino do País, tanto de redes públicas como privadas. Hoje, na rede pública, apenas 27,5% das escolas têm biblioteca.
Para equipar todas as 113.269 escolas públicas sem biblioteca, seria necessária a construção de 34 unidades por dia, segundo um levantamento realizado pelo movimento Todos Pela Educação com base no Censo Escolar 2011. O estudo também faz uma comparação com números do Censo 2008 e mostra que, mesmo as escolas construídas nos três anos seguintes (foram 7.284 novas unidades) não contemplam o espaço: apenas 19,4% dessas novas instituições têm biblioteca.

Os Estados mais carentes são os das Regiões Norte e Nordeste, que tradicionalmente têm infraestrutura escolar precária, com escolas que chegam a funcionar em construções sem energia elétrica e saneamento básico. Na rede municipal do Maranhão, por exemplo, só 6% das escolas têm biblioteca.

O que destoa da lista, no entanto, é o aparecimento do Estado de São Paulo com um dos piores resultados do ranking, com 85% das unidades de sua rede pública (escolas estaduais e municipais) sem biblioteca. São 15.084 unidades sem o equipamento. Um enorme prejuízo, se considerado os resultados da edição 2012 da pesquisa Retratos do Brasil, que mostrou que, entre os 5 e 17 anos, as bibliotecas escolares estão à frente de qualquer outra forma de acesso ao livro (64%). “Isso mostra que só a legislação não é suficiente, porque tem lei que realmente não pega”, afirma Priscila Cruz, diretora do Todos pela Educação.

Quando se analisa o déficit por nível de ensino, vê-se, ainda, que as instituições de ensino infantil são as mais prejudicadas: enquanto 82% das escolas de ensino profissional e 52% das de ensino médio construídas após 2008 possuem biblioteca, apenas 10% das de ensino infantil têm o espaço.


Uma opção que é um contrassenso, argumentam os educadores, já que é na faixa etária dos 5 anos que a criança está descobrindo a língua escrita e tem de ser estimulada à descoberta e ao gosto pela leitura. No ensino médio, o estudante já teria acesso a outros ambientes de leitura.


FONTE: Jornal do commercio-Pe

domingo, 25 de novembro de 2012

Meta de redução de emissão de gases para 2020 não será cumprida, diz ONU


Ainda que todos os países do mundo decidam neste momento ser mais ambiciosos nas metas voluntárias e obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa, não será mais possível atingir o compromisso firmado em 2010, de evitar que a temperatura no mundo suba mais que 2 graus Celsius (°C) até 2020. A informação é da terceira edição do Relatório sobre Emissões de Gases de Efeito Estufa, divulgada nesta quarta-feira (21) pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O documento mostrou, em um novo cálculo, que a concentração de gases do aquecimento global pode ficar até 14 gigatones (medida utilizada pelos cientistas para medir as emissões de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono) acima do nível definido como meta para 2020, que seria de 44 gigatones. 
Em 1990, o volume de emissões era de 37 gigatones. Atualmente, este índice chegou a 49 gigatones. Segundo o estudo, em vez de diminuir, a presença de gases como o dióxido de carbono na atmosfera aumentou cerca de 20%, desde o ano 2000. Por isso, especialistas projetam que, caso os países se debrucem sobre medidas mais audaciosas, as emissões chegariam, na melhor das hipóteses, a 52 gigatones.

De acordo com o levantamento, a distância entre a atual situação, o que os pesquisadores projetam como cenário para 2020 e o que os cientistas consideram como índices ideais, é cada vez maior. O relatório foi elaborado por 55 cientistas de 20 países.
Há dois anos, representantes de mais de 190 países se comprometeram, na África do Sul, com ações para conter o aumento da temperatura no mundo. Ao reconhecerem a necessidade de mudanças globais para minimizar problemas decorrentes das mudanças climáticas, como grandes enchentes e secas extremas, as economias concordaram em definir metas até 2015, que deverão ser colocadas em prática por todos os países signatários a partir de 2020.
Esse conjunto de metas foi chamado de Plataforma Durban e deve substituir o Protocolo de Quioto em oito anos. O acordo global, porém, segue ainda na teoria, sob ameaça de resistência ou dificuldade de países como Estados Unidos e China em modificar padrões, como o da queima de combustíveis fósseis, responsável por mais de 60% das emissões dos países mais desenvolvidos. Além disso, muitas economias europeias ainda travam a definição de questões complexas, como a transferência de tecnologia e financiamento para que países mais pobres e em desenvolvimento consigam acompanhar as mudanças globais.
Diante dos alertas pessimistas, negociadores de mais de 190 países que participarão da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Doha, no Catar, a partir da próxima semana, sabem que as pressões por mudanças vão continuar e vão recair tanto sobre os setores produtivos quanto sobre os governos, para a implantação de medidas de controle das emissões.

FONTE: ÉPOCA

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Governo defende 100% dos royalties do petróleo para educação



O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse nesta quarta-feira, 31, que o governo defende que todos os royalties do petróleo sejam destinados à educação. Além disso, o ministro acrescentou que a presidente Dilma Rousseff quer que metade dos ganhos do fundo a ser criado com recursos do pré-sal também seja repassada ao setor.

“No governo da presidenta Dilma, todos os royalties deverão ir para a educação. No município, no Estado e na União, para preparar a geração para os desafios futuros”, disse Mercadante, depois de encontro com a bancada do PT na Câmara dos Deputados para transmitir o posicionamento do governo sobre o projeto que muda a distribuição dos royalties do petróleo.

Segundo Mercadante, o governo defende o respeito aos contratos já licitados. “A presidenta Dilma tem uma posição muito transparente, objetiva sobre esta questão. Primeiro, o respeito integral aos contratos existentes. Não só porque isso é importante para o pacto federativo, mas também porque foi uma definição tomada desde o início da gestão do ex-presidente Lula.”

De acordo com o ministro da Educação, a intenção do governo é preparar o País para o futuro. "O petróleo é uma energia não renovável, que vai acabar. O Brasil tem que pensar no que vai fazer com uma riqueza nova, que é temporária, e qual Brasil vamos construir pós-pré-sal. E não tem País desenvolvido sem educação de qualidade e universal."

Mais cedo, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), disse que o Palácio do Planalto deveria ficar de fora do debate por se tratar de um assunto dos deputados federais. Há pouco, no início da ordem do dia, o petista considerou importante o governo ter se posicionado, mas que não existe espaço para grandes mudanças no projeto. “É bom que o governo tenha opinião, mas não vejo, neste momento, possibilidades de alterações de forma profunda”, pontuou Maia.

FONTE: Estadão.com.br

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Plantas raras em aquarela

No meio da floresta, exploradores de diferentes áreas participam de uma expedição científica. Um deles, munido de papéis e tintas, registra novas espécies de plantas ou animais. Essa cena, que poderia ter acontecido no século 18, ainda se repete em nossos dias. As pinturas de um dos expoentes da área hoje no Brasil podem ser conferidas no livro Plantas brasileiras – A ilustração botânica de Dulce Nascimento (editora Batel), que traz um resumo da trajetória dessa ilustradora.
“Muitos pesquisadores precisam de uma imagem para apoiar seu trabalho. É aí que entra a ilustração científica, que abrange várias áreas, como medicina, arqueologia, zoologia e, no meu caso, a botânica”, resume Nascimento. Ela iniciou sua trajetória quando cursava composição paisagística na Escola de Belas Artes (EBA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
“Foi em 1981. Eu nem sabia da existência dessa atividade até que fui chamada para um estágio na Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente do Rio de Janeiro (Feema). Minha tarefa era desenhar as espécies do herbário, sob a supervisão da professora Vania Aida Viana de Paula. Nunca mais abandonei esse mundo”, conta.
Desenhos de plantas raras
À esquerda, a orquídea ‘Cycnoches pentadactylum’, que ocorre no Tocantins. As flores dessa espécie caem com muita facilidade, o que dificultou a tarefa da ilustradora, que teve de registrar a planta enquanto as flores iam despencando à sua frente. Posteriormente, a pintura foi adquirida pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, que a ofereceu como presente de Estado aos reis da Espanha. À direita, a bromélia ‘Aechmea mertensii’, encontrada no Pará. (ilustrações: Dulce Nascimento)
Pode parecer estranho que, numa era com tantos recursos tecnológicos, o desenho não tenha ficado obsoleto. “A fotografia digital dá um apoio muito bom, mas nem sempre esclarece tudo sobre a planta”, explica a ilustradora. “Às vezes, a foto perde foco em alguma região, a luz não é homogênea ou o fundo polui a imagem. No desenho, o trabalho fica limpo, deixando apenas aquilo que define a espécie.”
Para isso, além da precisão do desenhista, é necessário que haja um cientista orientando o trabalho. Nascimento observa que algumas partes das plantas, como as glândulas, por exemplo, precisam ser desenhadas em uma escala maior para permitir identificação posterior.
“Procuro mostrar aos alunos o valor de documento desse trabalho. Daqui a 50 ou 100 anos, a espécie poderá não existir mais e o cientista só vai ter aquele desenho e um texto para se informar”
Durante o trabalho de campo, a agilidade é fundamental. Como os exploradores têm que terminar todas as atividades durante o dia, o tempo é muito contado. Por essa razão, não é possível fazer o desenho completo na floresta. “Temos que começar a voltar, digamos, às 15 horas, porque não se pode correr o risco de enfrentar escuridão na mata. É preciso desenhar a estrutura da planta, porque ela murcha depois de coletada, definir as cores na aquarela e anotá-las”, relata Nascimento. O resto do trabalho pode ser feito no acampamento, com uma amostra da espécie.
Além de acompanhar expedições, a ilustradora também dá aulas. “Procuro mostrar aos alunos o valor de documento desse trabalho. As ilustrações podem dirigir ou desviar uma pesquisa. Daqui a 50 ou 100 anos, a espécie poderá não existir mais e o cientista só vai ter aquele desenho e um texto para se informar. É uma grande responsabilidade.”

FONTE: Ciência Hoje

Evasão é o maior problema do Ensino a Distância, aponta estudo


A evasão dos estudantes é o maior obstáculo para o EAD (Ensino a Distância), segundo instituições que ofertam cursos nesta modalidade. O resultado foi obtido pelo Censo EAD.br 2010, o último divulgado pela Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância). Pela metodologia, foram considerados alunos evadidos os que não iniciaram os cursos na modalidade a distância ou os que abandonaram de uma forma ou outra.
A seguir, em segundo lugar como fator mais desafiador, está a resistência dos educadores à modalidade. Em terceiro aparecem as dificuldades de adaptação da educação presencial para EAD e, em quarto, a resistência dos alunos ao novo formato.
Principais obstáculos ao EAD, segundo instituições de ensino*
  Cursos autorizados Cursos livres Total
Evasão de alunos 59 24 83
Resistência dos educadores 43 22 65
Adaptação da educação presencial para EAD 45 14 59
Resistência dos alunos 39 15 54
Custos de produção dos cursos 27 22 49
Restrições legais 30 9 39
Suporte pedagógico e de tecnologia para os estudantes 22 14 36
  • Fonte: Censo EAD.br 2010
  • *Os dados na tabela referem-se ao número de respostas obtidas no estudo
As causas de evasão mais apontadas pelas instituições foram falta de tempo do aluno para estudar e participar do curso, acúmulo de atividades no trabalho e a dificuldades de se adaptar à metodologia.
Segundo João Vianney, consultor em ensino a distância, o primeiro semestre é o principal período de evasão de alunos no EAD. "Uma parte não se adapta à rotina de estudos individuais que a modalidade exige e acaba desistindo. Isso acontece porque ainda há o imaginário de que é possível aprender sem esforço no EAD, o que não é verdade. Os alunos têm de dedicar entre 12 a 15 horas estudos semanais para aprender, pois o conteúdo é equivalente ao que se ensina em uma faculdade presencial".
Causas de evasão, de acordo com as instituições*
  Cursos autorizados Cursos livres Total
Falta de tempo para estudar e participar 42 21 63
Acúmulo de atividades no trabalho 36 14 50
Falta de adaptação a metodologia 30 11 41
Desemprego 15 6 21
Viagens a trabalho 13 3 16
Custo de matrícula ou mensalidade 13 1 14
Impedimentos criados pelas chefias 1 1 2
  • Fonte: Censo EAD.br 2010
  • *Os dados na tabela referem-se ao número de respostas obtidas no estudo
Foi o caso de Luiza Caires, 30, jornalista que se inscreveu no curso de licenciatura em Ciências da USP/Univesp no início desse ano, como uma segunda graduação. "Apesar de o curso ser a distância, era necessário ter mais dedicação do que no presencial. O curso previa duas horas para uma atividade, mas, na verdade, eu levava seis horas para terminar. Como eu já trabalho, não tinha tempo suficiente para me dedicar".
Mesmo sem conseguir se adaptar à rotina da licenciatura, Luiza afirma que vai insistir na modalidade EAD. "Vou tentar fazer cursos livres de literatura e de história, que estão sendo oferecidos pelas universidades norte-americanas".

Mais evasão em cursos públicos
O Censo EAD.br 2010 indica que as taxas de evasão são maiores nas instituições públicas do que nas privadas: dentre os autorizados, a média de evasão é de 22,1% nas públicas ante a 15,8% nas particulares. Para cursos livres, que compreendem cursos de língua, extensão, entre outros, as taxas de evasão são de 30,9% nos públicos, e de 20,0% nos particulares.
Na Unopar (Universidade Norte do Paraná), instituição com mais matrículas no ensino superior a distância segundo o Censo de Educação Superior 2010, o índice de evasão está entre 10% e 13% no EAD; no presencial é superior a 13%. 
"Esse índice pequeno se deve ao modelo que utilizamos, em que o aluno tem de ir ao polo pelo menos uma vez por semana para participar de atividades em grupo com os colegas, acompanhado de um tutor presencial. Isso faz com que os estudantes criem laços sociais e permaneçam estudando", acredita Elisa Maria de Assis, diretora de EAD da instituição.
A diretora de EAD da UVA (Universidade Veiga de Almeida), no Rio de Janeiro, Jucimara Roesler, afirma que os índices de evasão do ensino presencial e do EAD são equivalentes. "A taxa de evasão média [em sua instituição] é de 18% nos cursos de EAD. No ensino presencial, ela está entre 18% a 20%", aponta.
Vianney confirma a tendência apontada nas duas instituições. "Na Unisul Virtual, por exemplo, a taxa de perda de alunos na educação a distância é menor do que nos mesmos cursos da educação presencial. Tudo é uma questão do modelo criado pela instituição e da atenção dedicada ao estudante".
O consultor aponta, porém, que isso não é uma regra. "Em instituições que oferecem programas de apoio e de acolhimento aos estudantes, a taxa de evasão no primeiro semestre costuma ficar entre 10% e 15%. Mas sem essas iniciativas, a perda na primeira fase pode passar de 25% do total de matriculados. Em um ciclo de quatro ou cinco anos, no ensino presencial a taxa de perda média no mercado fica ao redor de 45% a 50%. Na educação a distância esta mesma taxa pode chegar a 70%. Mas, tudo depende da qualidade de atendimento pedagógico que a instituição oferece".

FONTE: Uol  educação

sábado, 23 de junho de 2012

Água: questão socioambiental

Os números são provocadores. A cada ano, morrem mais de três milhões de pessoas por causas relacionadas à má qualidade da água; outras 844 milhões simplesmente carecem de acesso ao elemento fundamental à vida.
Se, por um lado, a falta de água é um dos maiores dramas socioambientais de nosso tempo, por outro, o excesso dela também pode ser o infortúnio de muitas vidas. “E a população da Baixada Fluminense sabe muito bem disso”, ressaltou o engenheiro Paulo Canedo de Magalhães, do Laboratório de Hidrologia do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O tema, que, em geral, só é lembrado em situações de calamidade ou emergência, foi assunto de destaque na última quinta-feira (14/6) durante evento acadêmico paralelo à Rio+20.
“Por conta do regime das águas, os moradores da região sofrem com um ciclo perverso de empobrecimento crônico”, disse Magalhães. Segundo ele, toda a renda que as famílias somam ao longo do ano é gasta com prejuízos decorrentes das chuvas. “E elas sabem que o ano seguinte será sempre pior do que o que se passou.” Nas palavras do engenheiro da UFRJ, “a vida sem perspectiva é como se fosse uma morte”.

Parte da solução

Pesquisadores da Coppe trabalham na continuidade de uma ideia que vem se mostrando eficaz para a amenização dos problemas de inundação que a Baixada Fluminense enfrenta. É o Projeto Iguaçu, idealizado para ser um mecanismo de controle de inundações e recuperação ambiental das bacias hidrográficas dos rios Iguaçu/Botas e Sarapuí.
A área abrange 726 quilômetros quadrados, onde vivem 2,5 milhões de pessoas espalhadas por seis municípios (Nova Iguaçu, Mesquita, Belford Roxo, Nilópolis, São João de Meriti e Duque de Caxias).
As frequentes inundações, que geralmente chegam com as chuvas de verão, são agora amenizadas por um conjunto de iniciativas de gestão e engenharia. Drenagem, barragem, reflorestamento de encostas, recuperação de nascentes são algumas das obras que estão fazendo a diferença por lá.
Margens de rios passaram a contar com urbanização mais inteligente: em vez de casas suscetíveis aos períodos de cheia, agora os locais são ocupados com parques inundáveis, avenidas-canal e áreas de mata ciliar. Nos períodos chuvosos, esses novos espaços permanecem inalterados; em tempo bom, tornam-se áreas de lazer para a população local.

Regras de ocupação do solo

Os projetos de engenharia na região são apenas parte de uma resposta para os problemas socioambientais decorrentes das chuvas. “A outra parcela do desafio é repensar as políticas públicas de uso e ocupação do solo”, salientou a química Márcia Dezotti, do Laboratório de Controle de Poluição das Águas, da Coppe.
Magalhães concordou, mas lembrou de episódios que o deixaram menos otimista em relação ao assunto. “Nossa equipe já sugeriu regras de uso e ocupação para o local. Mas é complicado: regras são algo que os municípios não costumam seguir.” Segundo o engenheiro, as cidades nem sempre têm aptidão técnica, financeira ou operacional para lidar com a questão.
Encerrando o encontro, Dezotti teceu considerações sobre as políticas de habitação – ou a falta delas – que se consolidaram no país. A pesquisadora censurou o fato de o poder público não gerenciar a ocupação de áreas críticas de forma adequada.
“Conhecendo a dinâmica hidrológica da Baixada Fluminense, por exemplo, os pesquisadores entendem que é um lugar bastante sensível, dado o regime de chuvas e a topografia local”, acrescentou. Em seguida, lançou a pergunta: “Afinal, será que a Baixada Fluminense é realmente um lugar que deve ser habitado?”.

 FONTE: Ciência Hoje