sábado, 23 de junho de 2012

Água: questão socioambiental

Os números são provocadores. A cada ano, morrem mais de três milhões de pessoas por causas relacionadas à má qualidade da água; outras 844 milhões simplesmente carecem de acesso ao elemento fundamental à vida.
Se, por um lado, a falta de água é um dos maiores dramas socioambientais de nosso tempo, por outro, o excesso dela também pode ser o infortúnio de muitas vidas. “E a população da Baixada Fluminense sabe muito bem disso”, ressaltou o engenheiro Paulo Canedo de Magalhães, do Laboratório de Hidrologia do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O tema, que, em geral, só é lembrado em situações de calamidade ou emergência, foi assunto de destaque na última quinta-feira (14/6) durante evento acadêmico paralelo à Rio+20.
“Por conta do regime das águas, os moradores da região sofrem com um ciclo perverso de empobrecimento crônico”, disse Magalhães. Segundo ele, toda a renda que as famílias somam ao longo do ano é gasta com prejuízos decorrentes das chuvas. “E elas sabem que o ano seguinte será sempre pior do que o que se passou.” Nas palavras do engenheiro da UFRJ, “a vida sem perspectiva é como se fosse uma morte”.

Parte da solução

Pesquisadores da Coppe trabalham na continuidade de uma ideia que vem se mostrando eficaz para a amenização dos problemas de inundação que a Baixada Fluminense enfrenta. É o Projeto Iguaçu, idealizado para ser um mecanismo de controle de inundações e recuperação ambiental das bacias hidrográficas dos rios Iguaçu/Botas e Sarapuí.
A área abrange 726 quilômetros quadrados, onde vivem 2,5 milhões de pessoas espalhadas por seis municípios (Nova Iguaçu, Mesquita, Belford Roxo, Nilópolis, São João de Meriti e Duque de Caxias).
As frequentes inundações, que geralmente chegam com as chuvas de verão, são agora amenizadas por um conjunto de iniciativas de gestão e engenharia. Drenagem, barragem, reflorestamento de encostas, recuperação de nascentes são algumas das obras que estão fazendo a diferença por lá.
Margens de rios passaram a contar com urbanização mais inteligente: em vez de casas suscetíveis aos períodos de cheia, agora os locais são ocupados com parques inundáveis, avenidas-canal e áreas de mata ciliar. Nos períodos chuvosos, esses novos espaços permanecem inalterados; em tempo bom, tornam-se áreas de lazer para a população local.

Regras de ocupação do solo

Os projetos de engenharia na região são apenas parte de uma resposta para os problemas socioambientais decorrentes das chuvas. “A outra parcela do desafio é repensar as políticas públicas de uso e ocupação do solo”, salientou a química Márcia Dezotti, do Laboratório de Controle de Poluição das Águas, da Coppe.
Magalhães concordou, mas lembrou de episódios que o deixaram menos otimista em relação ao assunto. “Nossa equipe já sugeriu regras de uso e ocupação para o local. Mas é complicado: regras são algo que os municípios não costumam seguir.” Segundo o engenheiro, as cidades nem sempre têm aptidão técnica, financeira ou operacional para lidar com a questão.
Encerrando o encontro, Dezotti teceu considerações sobre as políticas de habitação – ou a falta delas – que se consolidaram no país. A pesquisadora censurou o fato de o poder público não gerenciar a ocupação de áreas críticas de forma adequada.
“Conhecendo a dinâmica hidrológica da Baixada Fluminense, por exemplo, os pesquisadores entendem que é um lugar bastante sensível, dado o regime de chuvas e a topografia local”, acrescentou. Em seguida, lançou a pergunta: “Afinal, será que a Baixada Fluminense é realmente um lugar que deve ser habitado?”.

 FONTE: Ciência Hoje

quarta-feira, 21 de março de 2012

Como trabalhar o conceito de serviços ambientais

Os serviços prestados pela natureza impactam diretamente o bem-estar humano, mas o conceito ainda é novo em sala de aula. Veja como ensinar a relação entre os serviços ambientais e as vidas dos alunos e discuta a importância da preservação ambiental nesse contexto

Objetivos

- Construir o conceito de serviço ambiental.
- Identificar a relação dos serviços ofertados pela natureza com o ser humano, compreendendo como eles afetam nossas vidas.
- Discutir a importância da conservação da biodiversidade na manutenção desses serviços.

Conteúdo
Serviços ambientais.

Anos

6º ao 9º ano.

Tempo estimado

15 aulas.

Material necessário

Material informativo sobre o tema serviços ambientais:

- "A biodiversidade vale ouro", da Revista Biô


- Reportagem "Um mistério solto no ar", disponível no site Planeta Sustentável


- Reportagem "O valioso trabalho dos morcegos", disponível no site O Eco


- Texto "Movimentando a economia mundial" do livro Investigando a Biodiversidade


- Artigo Serviços aos ecossistemas, com ênfase nos polinizadores e polinização, de Vera Lucia Imperatriz-Fonseca

- Texto Morcegos e frutos: interação que gera florestas, da revista Ciência Hoje


Flexibilização
Para alunos com deficiência intelectual

Procure desenvolver nos alunos com deficiência intelectual habilidades importantes, como a oralidade e a escrita, sem deixar de lado o tema tratado nas aulas. Vale começar perguntando ao aluno o que ele sabe sobre o meio ambiente. Para ele, este é um conceito "abstrato" ou faz parte de seu cotidiano? Este aluno consegue identificar, seja conversando com os pais ou com outros professores e colegas, que serviços da natureza estão presentes no nosso dia a dia? Você deve trabalhar para que o conceito torne-se mais palpável para o aluno, próximo da sua realidade. Mostre exemplos de serviços ambientais e sugira que ele faça uma apresentação para a turma com as informações que descobriu - e que certamente vão contribuir para o trabalho dos colegas. Atribuir responsabilidades é fundamental para o desenvolvimento desses estudantes.

Desenvolvimento

1ª etapa
Inicie o trabalho fazendo um diagnóstico de quais argumentos a turma apresenta para a conversação do meio ambiente. Para isso, proponha a seguinte situação: peça que os alunos escrevam motivos para tentar convencer o dono de uma pequena propriedade rural a conservar as matas nativas na área de seu terreno. Depois, peça que alguns deles leiam suas respostas para a sala. A partir delas, inicie um debate sobre conservação ambiental. Pergunte se os demais concordam com os argumentos levantados e se acrescentariam alguma coisa. Questione se tem alguém que não acredita ser necessário preservar o meio ambiente. Caso haja, diga para esse aluno defender seu ponto de vista. Em um cartaz, registre os argumentos levantados nas duas situações.

2ª etapa
Apresente aos estudantes o tema das próximas aulas: serviços ambientais. Provavelmente muitos ainda não terão ouvido falar desse conceito. Por isso, vale à pena iniciar a discussão a partir da palavra serviços. Questione: O que quer dizer essa palavra? Quando ela é utilizada? Que serviços vocês conhecem? Uma consulta ao dicionário pode dar um bom direcionamento. Retome o termo serviço ambiental. Pergunte o que os alunos acham que ele representa. Esse é um bom momento para que crianças e adolescentes construam hipóteses (possíveis explicações para o conceito). Depois, sinalize para a garotada que serviço ambiental (também denominado ecológico ou ecossistêmico) é uma expressão que vem da área de conhecimento Ecologia e tem vínculo com questões econômicas.

3ª etapa
Inicie a construção do conceito com a turma. Solicite que os alunos listem benefícios que o ser humano retira da natureza - como comida, fibras para as roupas, oxigênio, controle da erosão, polinização, purificação da água, decomposição da matéria orgânica etc. Pergunte qual é a relação desses benefícios com o conceito estudado e discuta sobre o papel da natureza e do homem nessa relação. A leitura do texto A biodiversidade vale ouro (páginas 6 e 7 da Revista Biô) pode oferecer mais argumentos para a discussão. Conclua a discussão dizendo que todos esses benefícios que a população humana retira da natureza são chamados de serviços ambientais.

4ª etapa
Para instrumentalizar o conceito de serviço ambiental, vale à pena escolher um exemplo e explorá-lo com mais profundidade. Um serviço que desperta a curiosidade dos estudantes é a polinização. Você pode trabalhar o assunto isoladamente ou relacioná-lo ao conteúdo "reprodução das plantas com flores", que faz parte do currículo das aulas de Ciências. É importante que os estudantes compreendam como a polinização afeta diretamente a reprodução (e produção) de frutos e grãos e, consequentemente, a vida das pessoas. Dessa forma, você amplia o conhecimento deles e mostra que há uma relação entre o que acontece dentro da natureza e o homem. Trata-se de um serviço ofertado gratuitamente para o ser humano. Ressalte que alguns animais como abelhas, borboletas, morcegos, dentre outros, ao se alimentarem, acabam promovendo a polinização naturalmente. Distribua para os alunos cópias da reportagem Um mistério à solta no ar, que apresenta os prejuízos econômicos causados nos Estados Unidos e na Europa pelo desaparecimento de abelhas. Peça que leiam e, depois, discuta com a turma como a falta desse serviço ambiental afeta a população humana.

5ª etapa
Aprofunde a discussão sobre o impacto dos serviços ambientais - e da falta deles - nas pessoas. Pergunte: Esses serviços, como a polinização, feito pelas abelhas, poderia ser substituído de alguma forma? Como? Alguns alunos poderão levantar hipóteses de que sim, pois é possível fazer polinização artificialmente, retirando o pólen da parte masculina da planta e colocando na região feminina (ou de uma planta masculina para uma feminina, se for o caso). Também podem dizer que o próprio ar auxilia na polinização, sem precisar dos animais. Isso é verdade, mas é preciso problematizar essas hipóteses ressaltando os custos e trabalho que essas alternativas podem gerar. Será que são mais interessantes para o homem economicamente? E o ar, será que sozinho faz o mesmo papel que diversos animais nesse processo? Faça cópias da matéria O valioso trabalho dos morcegos, retirado do site O Eco, e distribua para a turma. Ela apresenta valores monetários referentes aos serviços ambientais prestados pelos morcegos. Este é um ótimo momento para reforçar que o hábito alimentar desses animais é muito variado e que algumas espécies se alimentam de néctar e pólen. Leve os alunos a refletir sobre a falsa sensação de que os recursos naturais são inesgotáveis. A matéria apresenta um bom exemplo de como um serviço ambiental é essencial à humanidade.

6ª etapa
Proponha que os alunos façam, como lição de casa, oriente os alunos a fazer pesquisas sobre outros exemplos de serviços ambientais. Os artigos Serviços aos ecossistemas, com ênfase nos polinizadores e polinização, de Vera Lucia Imperatriz-Fonseca, e Morcegos e frutos: interação que gera florestas, da Revista Ciência Hoje, podem auxiliá-lo com mais argumentos para a discussão.

7ª etapa
É interessante levar para a aula alguns valores monetários dos serviços ambientais, pois, em alguns casos, é possível fazer uma estimativa de quanto seria gasto para realizar o mesmo serviço caso não contássemos com o benefício da natureza. A leitura do texto Movimentando a Economia Mundial, retirado do livro Investigando a Biodiversidade, pode inserir alguns elementos no debate. Neste momento os estudantes devem compreender que os serviços ambientais são essenciais para a manutenção da população humana e que tais serviços são dependentes da integridade dos ambientes naturais. Se a biodiversidade não for conservada muitos deles serão perdidos e nós seremos prejudicados. Ou seja, a importância de se preservar o meio ambiente está intrinsecamente ligada à preservação da vida humana, já que a perda dos serviços ambientais causa prejuízos, também econômicos. Peça que os estudantes imaginem, por exemplo, o preço do quilo de tomate se os agricultores tiverem que alugar colônias de abelhas para a polinização ou substituir isso com mão de obra a mais, máquinas e outros recursos. Tal reflexão é importante para que os estudantes percebam que os serviços ambientais podem ser utilizados como um importante argumento conservacionista.

Avaliação

Finalize a discussão feita do decorrer das aulas anteriores solicitando que os alunos preparem uma exposição sobre os serviços ambientais para a escola. Divida-os em grupo e peça que cada um escolha um serviço diferente, assim podem ser abordados. Incentive-os a pesquisarem vídeos e textos na internet sobre o assunto. Sites como o do Planeta Sustentável e do Instituto Supereco trazem informações seguras. Depois, eles deverão elaborar cartazes e escrever textos informativos sobre o serviço escolhido, destacando a importância dele para a humanidade. Reflita com eles a importância de trazerem para a exposição a discussão sobre a conservação da biodiversidade. O envolvimento e participação dos alunos nas aulas serão um bom indicativo sobre o interesse despertado pelo temaDurante as exposições, observe se os estudantes construíram os conceitos de serviços ambientais adequadamente e os relacionaram à conservação da biodiversidade e à manutenção da qualidade de vida humana.


MEC contempla Educação Profissional com bolsas de pós-graduação


A Rede Estadual de Educação Profissional da Bahia foi contemplada com 15 bolsas de pós-graduação pelo Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec). As bolsas são reconhecimento dos avanços obtidos nos últimos quatro anos, que gerou repercussão nacional para a Educação Profissional da Bahia.
A especialização para gestores da Educação Profissional dos Sistemas Estaduais de Ensino é ministrada no Instituto Federal do Paraná, em Curitiba.  O objetivo é formar os servidores do quadro para garantir a permanência da política pública de Educação Profissional na Bahia.
O curso tem duração de 12 meses e carga horária de 360h, sendo 120 presenciais e 270 a distância. Dentre os temas abordados, estão: Educação Profissional, Mundo do Trabalho, Administração Pública e Pedagogia. Foram contemplados gestores do Centro Estadual de Educação Profissional (Ceep) do Semiárido, em São Domingos; Centro Territorial de Educação Profissional (Cetep) Médio Rio das Contas, em Ipiaú; Cetep Sertão Produtivo, em Caetité; Cetep do Semiárido Nordeste II, em Ribeira do Pombal; Cetep do Extremo Sul I, em Teixeira de Freitas; Ceep em Logística e Transporte Luiz Pinto de Carvalho, em Salvador; Cetep Agreste de Alagoinhas/Litoral Norte e Cetep Bacia do Paramirim, em Macaúbas.
O superintendente da Educação Profissional, Almerico Lima, disse que um dos critérios de escolha dos gestores e técnicos foi o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido em benefício da comunidade escolar e para o crescimento da Educação Profissional na Bahia. “Todos os contemplados são servidores efetivos, pessoas que ao longo dos anos têm dado uma contribuição valiosa à rede estadual e, em particular, à Educação Profissional. Com esta pós-graduação, eles continuarão a beneficiar a rede ao multiplicarem e aplicarem os novos conhecimentos adquiridos; vão contribuir para assegurar esta política pública”, acredita.
Novos cursos – O superintendente ainda afirmou que a Rede Estadual de Educação Profissional acabou de ser contemplada com mais sete vagas de pós para professores do eixo tecnológico Gestão e Negócios. “Também estamos articulando com o MEC e o Instituto de Saúde Pública da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e a Escola Técnica do SUS para sediar, na Bahia, uma pós para o eixo tecnológico Saúde, Segurança e Meio Ambiente. A Bahia foi escolhida por ter a maior oferta  deste eixo”, comemora.
Amadurecimento profissional - Para Crispim Nelson da Silva, diretor do Ceep do Semiárido, em São Domingos, “uma pós com foco na Educação Profissional nos leva a mudar e amadurecer a nossa concepção sobre o contexto da Educação Profissional no Brasil. Além de possibilitar um amplo entendimento sobre a gestão nesta área”.
A especialização reúne gestores e técnicos de diferentes estados brasileiros, como: Paraná, São Paulo, Acre, Pará, Minas Gerais, Brasília, Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco, Espírito Santo entre outros, o que proporciona uma troca valiosa de experiências. Para Heloisa Boaventura, gestora do Cetep Semiárido do Nordeste II, em Ribeira do Pombal, “o curso é uma oportunidade de adquirir conhecimento de forma sistemática sobre Educação Profissional, alinhando teoria e prática. Por meio das teorias, teremos mais amadurecimento sobre a prática que realizamos no cotidiano. É uma experiência enriquecedora para a realização do nosso trabalho”.
Para Ligia de Oliveira, técnica da Superintendência de Educação Profissional, “além de ampliar o conhecimento sobre o contexto histórico da Educação Profissional e da legislação vigente, com o curso, será possível aprofundar o aprendizado a respeito da gestão pública atrelada à Educação Profissional. Sem dúvida, esta será mais uma ferramenta de trabalho que irá enriquecer as nossas ações do cotidiano”, disse.