segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Toxina que alivia


Aranhas armadeiras não são exatamente o tipo de animal que se gostaria de ter por perto. Além de muito agressivas, seu veneno é considerado o mais potente entre os aracnídeos. Paradoxalmente, uma espécie do grupo libera uma toxina analgésica que pode amenizar o sofrimento de pacientes com câncer. Testes com camundongos e ratos sugerem que a substância funciona melhor do que os fármacos utilizados atualmente para esse fim.

A espécie em questão é a Phoneutria nigriventer, tipo de armadeira presente em todo o Brasil e outras regiões da América do Sul e que contém o peptídeo Phα1β (‘Ph alfa 1beta’) em seu poderoso veneno. Além de ter se mostrado eficaz no combate às dores decorrentes do câncer, o uso da toxina nos animais apresentou muito menos efeitos colaterais que outros analgésicos administrados na mesma situação.

De acordo com a farmacêutica Flávia Rigo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a substância ainda tem a vantagem de não causar tolerância nos pacientes. “Isso ocorre quando, depois de várias vezes administrado, um fármaco passa a ter menos efeito no organismo, o que implica no aumento constante das doses”, explica.

Para testar as propriedades analgésicas da toxina, Rigo separou os animais em dois grupos. O primeiro, formado por camundongos, recebeu células de melanoma nas patas direitas e foi tratado com morfina. O segundo grupo, composto por ratos, foi apenas submetido à quimioterapia, com o medicamento paclitaxel, sem ter desenvolvido câncer.

A toxina foi administrada quando os animais do primeiro grupo começaram a desenvolver tolerância ao analgésico e os do segundo apresentaram dores agudas, decorrentes do tratamento. O composto foi injetado por via intratecal, diretamente na medula espinhal.
Segundo a farmacêutica, a substância eliminou totalmente tanto a dor causada diretamente pelo tumor, quanto a decorrente da quimioterapia. A analgesia durou seis horas, duas a mais que a provocada pela morfina, por exemplo.

De acordo com Rigo, o único efeito colateral observado foi uma leve sensibilidade na pele. Já a ziconotida, utilizada no estudo para efeitos comparativos, causou distúrbios motores e sonolência nos animais. Esse peptídeo, derivado do veneno do caracol Connus magus, é usado atualmente no tratamento de pacientes com câncer ou Aids tolerantes à morfina.

Cortando a comunicação

As dores provocadas pelo câncer têm origens diversas, estando relacionadas, principalmente, à compressão de nervos e vasos pelo tumor e à agressividade das terapias.
Trabalhos anteriores já haviam mostrado que a toxina bloqueia canais de cálcio presentes nas células, impedindo a liberação de neurotransmissores. Esses canais têm papel fundamental na condução de estímulos neurológicos até o sistema nervoso central. Ao interromper esse processo, a Phα1β faz com que o cérebro não ‘fique sabendo’ que há algo errado e, consequentemente, não envie o estímulo de dor para o local afetado.

Apesar dos resultados positivos dos testes, não seria possível utilizar somente a toxina no tratamento das dores do câncer. Por ser um peptídeo – tipo de molécula que sofre degradação excessiva no estômago e não é bem absorvida pelo intestino –, a Phα1β precisaria ser aplicada por via intratecal. E por se tratar de uma injeção diretamente na medula, a aplicação recorrente por tempo prolongado seria inviável.

No entanto, foi observado durante o estudo que os animais resistentes à morfina que recebiam doses da Phα1β tiveram essa tolerância diminuída. Isso possibilitaria um tratamento alternado, em que a toxina seria introduzida apenas pontualmente.

Outro problema é a necessidade de sintetizar a substância em laboratório para a realização dos testes com seres humanos e para o desenvolvimento de medicamento. Além de a P. nigriventer ser muito difícil de capturar e criar em cativeiro, a quantidade de veneno obtido de cada aranha é muito pequena. “O processo para desenvolver a Phα1β é muito complexo, já que é preciso reproduzir todas as ligações do peptídeo em uma estrutura tridimensional”, afirma Rigo.

Mas, de acordo com a pesquisadora, existem pesquisas nesse sentido sendo conduzidas, visto que em 2008 outros estudos já haviam comprovado a eficácia do composto no tratamento de dores neuropáticas e associadas a inflamações.
Já a próxima etapa do estudo de Rigo será observar a ação da toxina da armadeira em animais com dor associada à Aids.

FONTE: Ciência Hoje

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Projeto dá apoio financeiro a universitários de baixa renda; inscrições em fevereiro

 

Passar no vestibular em uma universidade pública pode dar a sensação de missão cumprida para muitos estudantes. Porém, para grande parte dos alunos de baixa renda, conquistar uma vaga é apenas o primeiro passo, já que precisam conciliar estudos e trabalho, gastar com livros caros, transporte e alimentação, além da falta de apoio para a carreira.
Pensando em como ajudar esses jovens, um grupo de estudantes do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), criou o Instituto Semear, que dá apoio financeiro e treinamento durante um ano aos universitários. O projeto, que começou em 2010, em São José dos Campos, interior paulista – que neste ano está com inscrições abertas até 23 de fevereiro –, hoje comemora 60 atendimentos a universitários e sua expansão para o Rio de Janeiro e o Ceará, que abrirão seus processos seletivos nas próximas semanas.
O instituto tem como ponto central do seu trabalho evitar a evasão escolar dos universitários, sobretudo, daqueles oriundos das classes C, D e E. No Brasil, cerca de 900 mil estudantes abandonam a faculdade antes de se formar, de acordo com a pesquisa Estudos sobre a Evasão no Ensino Superior Brasileiro, do Instituto Lobo, de 2011.
"Acreditamos que o conselho de uma pessoa experiente, uma palestra sobre um tema desconhecido e a tranquilidade financeira para se alimentar e ir para a faculdade são os elementos que podem ser o ponto de virada na vida de uma pessoa", afirma Daniel Santos, coordenador voluntário do Instituto Semear Celeiro, nome que o projeto recebe no Rio.
Na prática, o apoio aos estudantes se baseia em três pilares. No primeiro deles, o jovem recebe uma bolsa de R$ 342,85 mensais – pagos durante os dois primeiros semestres para se manter na faculdade e conseguir pagar despesas básicas de transporte, alimentação e educação.
Em seguida, o universitário conta com o auxílio de um mentor, ou seja, um profissional que já atua no mercado e que tem bagagem para esclarecer as dúvidas do jovem. Por fim, paralelamente aos outros dois pilares, os estudantes passam por treinamentos mensais onde são abordados temas como inteligência emocional, empreendedorismo, finanças pessoais e liderança.
O instituto ainda oferece aos universitários a chance de acompanhar palestras de profissionais e empreendedores que contam suas experiências com a vida universitária, as dificuldades no processo e como alavancarem suas carreiras. "O propósito é garantir uma estrutura mínima necessária para que esses jovens acreditem nos seus objetivos. Muitas vezes, eles não sabem o caminho, o que os impede de se tornarem agentes de transformação na sociedade", afirma Santos.

 FONTE: UOL Educação

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Não há biblioteca em 72,5% das escolas brasileiras





O Brasil precisa construir 130 mil bibliotecas até 2020 para cumprir a Lei 12.244, que estabelece a existência de um acervo de pelo menos um livro por aluno em cada instituição de ensino do País, tanto de redes públicas como privadas. Hoje, na rede pública, apenas 27,5% das escolas têm biblioteca.
Para equipar todas as 113.269 escolas públicas sem biblioteca, seria necessária a construção de 34 unidades por dia, segundo um levantamento realizado pelo movimento Todos Pela Educação com base no Censo Escolar 2011. O estudo também faz uma comparação com números do Censo 2008 e mostra que, mesmo as escolas construídas nos três anos seguintes (foram 7.284 novas unidades) não contemplam o espaço: apenas 19,4% dessas novas instituições têm biblioteca.

Os Estados mais carentes são os das Regiões Norte e Nordeste, que tradicionalmente têm infraestrutura escolar precária, com escolas que chegam a funcionar em construções sem energia elétrica e saneamento básico. Na rede municipal do Maranhão, por exemplo, só 6% das escolas têm biblioteca.

O que destoa da lista, no entanto, é o aparecimento do Estado de São Paulo com um dos piores resultados do ranking, com 85% das unidades de sua rede pública (escolas estaduais e municipais) sem biblioteca. São 15.084 unidades sem o equipamento. Um enorme prejuízo, se considerado os resultados da edição 2012 da pesquisa Retratos do Brasil, que mostrou que, entre os 5 e 17 anos, as bibliotecas escolares estão à frente de qualquer outra forma de acesso ao livro (64%). “Isso mostra que só a legislação não é suficiente, porque tem lei que realmente não pega”, afirma Priscila Cruz, diretora do Todos pela Educação.

Quando se analisa o déficit por nível de ensino, vê-se, ainda, que as instituições de ensino infantil são as mais prejudicadas: enquanto 82% das escolas de ensino profissional e 52% das de ensino médio construídas após 2008 possuem biblioteca, apenas 10% das de ensino infantil têm o espaço.


Uma opção que é um contrassenso, argumentam os educadores, já que é na faixa etária dos 5 anos que a criança está descobrindo a língua escrita e tem de ser estimulada à descoberta e ao gosto pela leitura. No ensino médio, o estudante já teria acesso a outros ambientes de leitura.


FONTE: Jornal do commercio-Pe